João, o terrível

Pessoal e transmissível

Às vezes penso que se o tivesse deitado sempre às 9 da noite, ou se o tivesse mandado para o quarto nos jantares de adultos, ou então se falasse em código na frente dos amigos e o tivesse afastado de toda a discussão política nos encontros pessoais e profissionais, talvez tudo fosse mais fácil.

Mas agora é tarde para emendar esse erro, que o meu rapaz já há muito que me olha lá de cima e mais uns quilo (meus) perdidos  estou certa que me vai pegar ao colo, sim. De maneira que não tenho muito mais a fazer que é o meu papel de mãe possível, recomendando-lhe moderação nos comentários, parcimónia nas intervenções, cuidados na opinião que nos sai da boca como o ar que respiramos, pois que ter opinião cria muitos inimigos. Não ser menino-bem-comportado também. Questionar o sistema não se usa nas escolas (a não ser quando os professores são alvo do maior ataque de há memória e se lembram dos sindicatos e tal e tal), sob pena de haver um rótulo colado ali, na tua testa, para todo o sempre. E disso há-de resultar que até uma questão na aula da disciplina preferida receba como resposta o suspiro de enfado da professora.

Nada que lhe tire o sono, a ele. E lá vai, somando derrotas nas eleições, sem nunca desistir de pregar umas valentes secas ao colegas, que a vida não é só andar de skate, ver vídeos da WWE e treinar fingerboard.

Em plena campanha para as eleições do Parlamento dos Jovens, chegou a casa incrédulo com a sessão que um deputado do CDS/PP foi lá fazer à escola. No ano passado tinha lá ido o Pedro Pimpão (que eu conheço desde muito pequeno e ele também conhece, da vida cá fora) e fez um sucesso. No outro ano tinham lá ido a Odete João e o Fernando Marques e a intervenção também não lhe desgostou.

tu sabes o que é que ele disse, mãe?

– imagino…

…. e ainda…e mais….

mas o pior foi quando eu disse aos meus colegas, cá fora, que ele só tinha ido ali fazer campanha, e alguns viraram-se para mim a dizer ‘ó joão, és maluco, como é que ele vinha pr’aqui fazer campanha se nós ainda nem sequer votamos?’.

 

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2 thoughts on “João, o terrível

  1. Tenho pensado muito nisto. Neste problema de se explicar a crise aos mais novos e tenho vindo a mudar de opinião., sabes ? Cada vez mais, penso que temos que lhes explicar tudo, que debater, de duvidar. E quanto mais jovens melhor.
    Cada idade a sua linguagem, ok, mas falar de tudo.

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